sexta-feira, 18 de maio de 2007

Tiros no Monte Brasil disparam polémica

A utilização da carreira de tiro no Monte Brasil está a gerar fortes críticas por parte dos frequentadores do espaço de reserva natural e dos profissionais ligados ao turismo.



A utilização da carreira de tiro no Monte Brasil está a gerar fortes críticas por parte dos frequentadores do espaço de reserva natural e dos profissionais ligados ao turismo. De acordo com o guia turístico, José Pires Borges, a prática de tiro estendeu-se aos fins-de-semana, sendo que o ruído dos disparos seria audível no parque de piqueniques. “Trata-se de um espaço em que eu me encontrava para almoçar, um parque de natureza, onde as pessoas vão para descansar e para usufruir do bom tempo e do sossego”, adianta.“Um colega meu seguia com um grupo de médicos, por volta das 11 da manhã e teve de parar devido aos tiros, pois não queria colocar a vida das pessoas em perigo”, critica, adiantando que vai iniciar um movimento cívico no sentido de uma gestão única do Monte Brasil como reserva natural.Na opinião de Pires Borges, está em perigo a imagem de calma e beleza que atrai os turistas ao Monte Brasil, acrescentando que, para além disso, se trata de uma questão de segurança. “Quando se pratica tiro, coloca-se uma bandeira vermelha como aviso. Não existe qualquer vedação que impeça uma criança, ou até um estrangeiro, que desconheça a situação, de descer e colocar a sua vida em perigo”, alerta.O director regional dos Recursos Florestais adianta que os Serviços Florestais detêm 63 hectares dos 100 existentes, garantindo que a prática de tiro não tem colidido com a função do Monte Brasil como reserva natural. “A única questão que se pode colocar é a existência de um trilho que passa em terrenos militares, mas, quando existem provas de tiro, é colocada uma bandeira vermelha, como indicação que as pessoas não podem circular. São duas práticas que sempre coexistiram”, avança José Mendes.Uma opinião partilhada pela directora regional do Turismo, Isabel Barata. “A prática de tiro sempre existiu, a solução está na coordenação. Não tivemos qualquer queixa, pelo que assumimos que não existem problemas”, reitera.Já o comando do Regimento de Guarnição Nº1 frisa que os militares são “sensíveis” às questões ambientais e garante que a carreira de tiro tem sido utilizada de forma equilibrada e distribuída.Também o presidente do Clube de Tiro da Terceira avança que a utilização da carreira foi feita com autorização e cumprindo todas as regras de segurança. “Trata-se de uma das carreiras de tiro mais seguras do país, que vai atrair dezenas de atiradores para o campeonato regional, a 26 deste mês”, sublinha.
Diário Insular 17 de Maio de 2007

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